Funcionário da Abin diz que ação hacker contra governo paraguaio chegou a ser interrompida por medo de vazamento e prisão

  • 03/04/2025
(Foto: Reprodução)
Receio era de que operação, batizada de Vortex, vazasse para a Polícia Federal e levasse à prisão dos envolvidos. Ministério Público paraguaio abriu investigação sobre o tema. Um funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) disse à Polícia Federal (PF) que a ação de invasão hacker a sistemas do governo do Paraguai chegou, num primeiro momento, a ser interrompida. Isso porque houve receio de que a operação fosse vazada para a Polícia Federal e os agentes da Abin acabassem presos. Vista da entrada da sede da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em Brasília. WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO Nos bastidores, há uma disputa entre setores da PF e da Abin, que foi amplificada com as investigações da atuação da "Abin paralela" que teria sido usada para a suposta prática de espionagem ilegal para atender objetivos “políticos e pessoais” durante o governo Bolsonaro. Em depoimento sobre a atuação da Abin paralela, o funcionário relatou que o ataque ao Paraguai começou ainda no governo Jair Bolsonaro, mas que continuou durante o governo Lula, com autorização expressa do atual diretor da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e do diretor interino Saulo de Cunha Moura, que ocupou o cargo entre março e maio de 2023. As informações foram publicadas pelo portal UOL. e confirmada pela TV Globo. O governo Lula disse, em nota, que interrompeu a ação assim que ficou sabendo dela, em março de 2023. Brasil x Paraguai: entenda impasse envolvendo Itaipu e acusação de ataque hacker Operação Vortex Em novo trecho do depoimento obtido pela TV Globo, o funcionário da Abin relatou que o ex-diretor interino da Abin Alessandro Moretti foi quem, inicialmente, abortou a ação contra o Paraguai. A suspensão ocorreu na véspera da operação, batizada de Vortex. Os agentes estariam prestes a embarcar para o Chile e Panamá, de onde começariam o ataque. Em meio a denúncia sobre hacker da Abin contra o Paraguai, Congresso instala comissão De acordo com o relato, Moretti estava com receio de que outro diretor da área de inteligência da Abin vazasse a informação para um diretor da Polícia Federal. Ele acabou liberando a ação em outro momento. Procurada, a defesa de Moretti informou que não vai se manifestar. "Que o receio é que a polícia federal prendesse o pessoal na imigração; que Moretti autorizara a ação em momento anterior; que a operação vortex foi retomada depois; que Moretti no momento posterior autorizou a operação vortex", diz o depoimento a que a TV Globo teve acesso. O funcionário da agência disse ainda que a operação já tinha sido apresentada ao general Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional, a quem a Abin era subordinada, e também ao então Ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida. Anexo C Segundo o depoimento, a ação tinha como objetivo obter dados sigilosos sobre valores em negociação no Anexo C do Tratado de Itaipu. Usina Binacional de Itaipu, no Paraná. Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional - Divulgação 🔍O Anexo C do Tratado de Itaipu estabelece as bases financeiras e de prestação de serviços de eletricidade da usina hidrelétrica binacional, incluindo a fórmula para o cálculo do preço da energia produzida. Esse anexo prevê que, após 50 anos de vigência, suas cláusulas podem ser revistas, o que ocorreu em abril de 2023. O funcionário da Abin afirmou ainda que a ação não demandava nenhuma ação intrusiva de telecomunicações, somente de informática. Segundo o funcionário, a operação contou com o uso de ferramentas de intrusão como Cobalt Strike e o envio de e-mails com engenharia social para capturar senhas, cookies de sessão e acessos de autoridades paraguaias. Ainda de acordo com o relato à PF, foram invadidos sistemas do Congresso do Paraguai (Senado e Câmara), além da Presidência da República. O servidor disse que as ações foram executadas a partir de servidores hospedados no Panamá e no Chile, e que as ferramentas foram apresentadas em reuniões internas da Abin, com aprovação da alta cúpula. Embaixador do Brasil no Paraguai se reúne com autoridades do país para tratar de denúncia de monitoramento da Abin. Divulgação A revelação provocou desgaste do Brasil com Paraguai. Na terça-feira (1º), o governo do Paraguai anunciou que convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antônio Marcondes, para cobrar explicações sobre o suposto monitoramento da Abin ao sistemas do país vizinho. Nesta quinta-feira, o Ministério Público do Paraguai informou ter aberto um processo criminal para investigar a suspeita de espionagem digital brasileira.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/04/03/funcionario-da-abin-diz-que-acao-hacker-contra-governo-paraguaio-chegou-a-ser-interrompida-por-medo-de-vazamento-e-prisao.ghtml


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